terça-feira, 22 de setembro de 2015

A IMPORTÂNCIA DE NOSSOS PEDAÇOS E RECONSTRUÇÕES


                Diante das oscilações dos cenários de nossa vida trafegamos por inúmeras fases, momentos de dores, dificuldades, desafios, conquistas, alegrias, vitórias, aprendizados, fracassos e superações. Em alguns desses períodos nos sentimos soltos, perdidos, sem valor e sem opções, especialmente sob as circunstâncias de sofrimentos. Mas a vida é assim, assemelha-se em parte com o texto de Monteiro Lobato "A Colcha de Retalhos", e é simplesmente isso, uma "construção de etapas". Composta de contrastes, com figuras alegres, tristes, coloridas, escuras, harmoniosas, indecifráveis, ou inexpressivas. Com recortes de tecidos variados, grandes, pequenos, com formas definidas e cortes precisos, ou um tanto desalinhados e irregulares. Não importa as cores, o tamanho dos retângulos, de outras formas, e nem a textura dos variados tecidos, todas as partes, mesmo diferentes, se complementam, e assim como a vida, a colcha de retalhos também aquece, aconchega, esfria, sufoca, se rasga, danifica sua estrutura, se recostura, pode enlarguecer, encompridar-se agregando outros tecidos, ou diminuir-se, conforme a perda e estrago de um de seus retalhos. Mas a colcha nunca vai deixar de ser reconhecida como uma colcha, de exercer as suas funções, embora se rasgue, se fure, se desfie, descosture ou envelheça, e a medida do tempo, mediante seu uso, ela torna-se mais áspera ou mais sedosa, e tudo isso depende de como ela foi cuidada e manuseada, e de como aconchegou quem dela precisou. Em nada somos diferentes da colcha de retalhos, e mesmo quando ela perde uma de suas partes, ela continua existindo, outras partes virão e serão anexadas a ela, contudo, nenhuma jamais será igual a outra. Somos assim, diante desse paradoxo de pedaços, cores, formas, funcionalidade, danos e recosturas, a gente se reconstrói, e apesar das nossas rasuras, podemos decidir se depois de tantos desfiados, queremos nos abandonar e virar um mísero pano de chão, ou continuar sendo um lençol aconchegante e bem utilizado.

A palavra para hoje é RESTAURAÇÃO.